2 de junho de 2011

Presença




PRESENÇA

Devotei a vida
construindo vias
para vossa vinda.

Depus o meu templo
no exato centro
da rosa-dos-ventos,
para que chegasses
vindo de onde fosse.
E espalhei meus guias.

Nesse outrora hermético
templo do meu ser,
esculpi uma porta
e a adornei com ouro
para que à visses
de vossa distância.

Construi faróis
e os acendi
com luz emprestada,
à guiar os barcos
de vossa deriva.
Caso adormecesse.
Caso noite fosse.

E plantei canteiros
de perfume intenso.
Rosas em seu centro.
Acendi incensos
de fragrantes fumos
ascendendo aos dutos
de vossas narinas.

E regi a orquestra
dos sons da mudez
no festivo dia
de vossa chegada.

Porém chegaste por dentro
 sem alarde ou movimento,
e tudo tornou-se centro.

Suas vestes de clara névoa
deixaram auras em torno
das copas desses sombrios
pomares adocicados
desse abismo que permeio.

Em minha parca razão
abriste o riso das pedras
e um ermo imensurável.

Desse ermo, desde então,
à mim dedicas, concedes,
o completo, infindo amor
do meu próprio coração.

Joel Pozzobom.


Um comentário:

  1. Grande Joel, mais uma vez parabéns pelos textos e estou sempre em contato com teu lugar na net, parabéns mesmo!

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