A onda desejou um dia experimentar o gosto do Castelo de Areia. Timidamente o lambeu como a criança o sorvete. Sorver-te. Pois há palavras nas palavras. E assim o fez ruir, desconstruindo-o.
Para a onda um mero gesto traquina. Mas para o Castelo, o custo da permanência no insustentável ato da existência.
Você pode no entanto, escolher entre ser a onda ou o Castelo. O quê, no fundo ( ou no raso ), é a mesma coisa. Depende do ímpeto, ou da maciez, da sua onda pessoal. Depende de o seu castelinho ser de açúcar ou sal, ...ainda que de areia seja.
Um Castelo de Areia jamais se desfaz. Apenas desmorona. É desconstruido! Retoma seu sempre gestante amorfo.
Alguns dentre nós diriam tratar-se de devolver o espaço outrora subtraído à natureza do vago, no ato da construção.
Outros diriam que desconstruir é construir um novo arranjo.
Outros ainda, já cadentes, não diriam nada. E seriam melhor ouvidos e compreendidos. Pois só o silêncio pode perfurar os vislumbres mais cristalinos.
Porém no mais das vezes, para reconstruirmos, contratamos os mesmos profissionais. Inerentes à Empresa dos velhos vícios. E a obra se repete, pois os deixamos a vontade para o exercício da mesmice.
Acordemos, então, nosso Arquiteto interior ou pelo menos o decorador de nossos sonhos. Uma restauradora, talvez, que entenda a alma das coisas mínimas. Ou das grandes, desde que guardem o ínfimo.
E, equipe formada, vamos à construção. Perdidos seguidores da silenciosa planta, divinamente traçada em nosso íntimo. Posto que para achar, é necessário perder-se. Atenciosos ao fato de quase sempre julgarmos como nosso, algo em nós incutido pelas artimanhas do exterior.
Mas como saber quando Somos? e quando São em nós, utilizando nossos próprios processos internos?
Calando. Pois o calar recombina o silêncio e nos traz um botão de intuição, entreaberto em silenciosa sensação de resposta. E assim, naturalmente a separamos do metropolitano trânsito exterior à nós.
O ato de desconstruir os erros, é o mesmo de reconstruir acertos. Ainda que usemos a mesma areia, salgada ou doce conforme o perceba a língua de nossa onda.
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Agradecimentos à aLgUém de quem roubei a idéia central, para desconstruir!...
Reconstruida, porém, aqui está!... Pode entrar, Moça!... o Castelo é seu!...

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