21 de agosto de 2010

O diagnóstico

 


O DIAGNÓSTICO

              Por se tratar de lugar situado numa dobra do mapa, minha cidadezinha é regida por "inabituais hábitos". Senão, vejamos: ... Os médicos locais, por exemplo, atendem apenas aos domingos e em domicílios.
              Nunca atei esse estranho comportamento e a localização de minha cidade. Mas dizem! E se dizem, poucas chances há de que seja, de fato!... Assim sendo, melhor que creiamos. Ainda que não.

              Então, numa recente manhã de domingo, Dr. Tuoso, médico da família, veio trazer-me arrastada sua sempre simpática e manquitola presença.
Falava baixinho, mas de forma audível. E dentro de tal condição, murmurou: "É assim que se tem que lidar com a danada da felicidade, paciente... Sorrateira que é!..." ... e completou: "Só em manhãs dominicais, entre o sono e o sino, é que se pode abordá-la!..."
              De um transparente e matinal marrom-terra, suas palavras denotavam um saber tão confuso quanto os primeiros passos duma girafa!... E foi assim sugerindo-me que deitasse sobre uma ocasional nuvenzinha que, sorrateira e desprendida do bando, chorava uma leve garoa de testemunho, atravessando pelo meio a manhã!...

              Deitei-me!...

              Encostou-me no peito, o Doutor, uma purunga, ... amplificando assim os velados sons do meu coração!...

              Estranhei!... Misturava-se ali um estranho tropilar de teclado, permeado de "erreesses"! ...e algumas discussões acaloradas, em contraponto com um fundo silencio minado de pinturas, poemas e olhares perdidos!... Uma sopa primordial!... Em perfeito estado de composição!...
              Mas as nuvens são o próprio símbolo da efemeridade!... Se vão com as chuvas!... E quando percebi que a garoa era finda, perceber fez-me cair no chão.

              E sempre que fico sem conexão, venho aqui no "Meus Arquivos", rever o diagnóstico.

              Sabem?, tenho uma formiga alojada no coração!!!...


texto de Joel Pozzobom .


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