
INSONE
Se parco na noite o vil silêncio cresce,
nele pouso as rédeas dos formais eventos.
E desço no sono que pertinaz tece
a teia profunda de outro firmamento,
ao Caos!... E ali expostas raízes da morte,
devoram silêncio, depondo crateras. ...
Negras, fundas, mortas,... "Filhas de que sorte?"...
... e herdo o seu escuro com olhos de feras.
E na treva durmo, que dormir permito
ao profundo senso, e lúcido, não durmo!...
Pois dorme por mim outro que inerte fito
deste meu dantesco pélago noturno.
E as feras espreitam o peito que contrito,
guarda o cambaleante coração soturno.
Soneto de Joel Pozzobom.
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