A SENDA SEM FIM DO SENHOR ROLANDO PASSOS.

A Reta é um Ponto em constante e frenética oscilação em busca do seu Lugar. (Wiliam Fragonard.)
Lá pelos idos de Uns Mil Alguncentos e Unsquenta e Tantos, na então recém fundada Vila Longe, o jovem Rolando Passos era, do fundo de sua espessa miopia, o mais superficialmente atento dos discípulos do Mestre.
Era uma aula de matemática. E o jovem Rolando foi anestesiado por um sentimento estranho quando elucidado pelo Mestre que, no espaço compreendido entre o Zero e o Um existem infinitos números tanto quanto no espaço entre o Zero e o Infinito.
A desconcertante declaração colocou Rolando em busca imediata pela pergunta para a resposta que lhe veio tão nua que que o brilho de suas lentes a empurraram de volta para o Mundo das Respostas Puras. Pois tinha Rolando, como temos alguns tantos e outros ainda, a tendência a descartar as respostas simples e óbvias em detrimento de respostas complexas e obscuras, que sequer respostas são, ou eram, satisfazendo assim suas, ou nossas, limitações.
Deixando então sua razão menor decidir por si, caiu Rolando nas arapucas das respostas em preto e branco sem considerar as nuances intermediárias, aplacando assim o seu réptil profundo. Ou superficial. Dependendo do ponto de vista.
Como poderiam infinitos números caberem num espaço definido? Infinitos números se estenderem por uma reta infinita até que cabia na incompreensão de Rolando. Mas numa reta definida?... Jamais! ...
Rolando não conseguira compreender que cada número é, em si, ponto e reta ao mesmo tempo, e que o infinito diverge para todas as direções convergindo no entanto para o íntimo!... Que por sua vez está tão distante de nós quanto o mais distante ponto exterior. E se isso retira o Homem do Universo também abriga o Universo dentro do homem. Literalmente. Pois nos domínios do ínfimo, conotativo e literal se anulam (ou sacrificam-se) para manifestarem o outro.
O Mestre, então, diante da porta fechada do discípulo, levou-o até a janela que se abria à claridade da manhã da vida e apontou, fincada na distância, a estaca que marcava o ponto central de Vila Longe, dizendo:
"Vou lhe apresentar essa prova que sua razão está cobrando mas que jamais irá encontrá-la enquanto razão, pois quem carrega respostas não pode além delas passar.
Está vendo a estaca? Pois bem! ... você terá que caminhar até ela traçando uma reta. E cada passo seu representará um número transposto. Porém, à cada dia, você poderá caminhar somente a metade do espaço que falta."
Hoje Vila Longe é uma grande metrópole.
Até à alguns anos ainda se via o Sr. Rolando Passos, dentro de suas casimira e tricoline, em meio as proles das proles de sua prole, diariamente e cada dia mais míope, caminhando amparado a sua "metade-do-que-falta" .
Mas como para encontrar é necessário perder-se e se perder, de uns anos para cá o Sr. Rolando sumiu de vista.
Dizem em Longe que adentrou aos mundos da realidade ínfima para poder continuar sua busca.
E enquanto a palavra Sempre vai migrando do dicionário do tempo para os Arquivos da eternidade, o Obelisco das Impossibilidades, situado hoje onde antigamente se encontrava a estaca do marco zero de Vila Longe, vai vagarosa e imponentemente aguardando a chegada triunfal do Senhor Rolando Passos, que por sua vez continuará para sempre "beliscando o Obelisco" sem nunca chegar.
Era uma aula de matemática. E o jovem Rolando foi anestesiado por um sentimento estranho quando elucidado pelo Mestre que, no espaço compreendido entre o Zero e o Um existem infinitos números tanto quanto no espaço entre o Zero e o Infinito.
A desconcertante declaração colocou Rolando em busca imediata pela pergunta para a resposta que lhe veio tão nua que que o brilho de suas lentes a empurraram de volta para o Mundo das Respostas Puras. Pois tinha Rolando, como temos alguns tantos e outros ainda, a tendência a descartar as respostas simples e óbvias em detrimento de respostas complexas e obscuras, que sequer respostas são, ou eram, satisfazendo assim suas, ou nossas, limitações.
Deixando então sua razão menor decidir por si, caiu Rolando nas arapucas das respostas em preto e branco sem considerar as nuances intermediárias, aplacando assim o seu réptil profundo. Ou superficial. Dependendo do ponto de vista.
Como poderiam infinitos números caberem num espaço definido? Infinitos números se estenderem por uma reta infinita até que cabia na incompreensão de Rolando. Mas numa reta definida?... Jamais! ...
Rolando não conseguira compreender que cada número é, em si, ponto e reta ao mesmo tempo, e que o infinito diverge para todas as direções convergindo no entanto para o íntimo!... Que por sua vez está tão distante de nós quanto o mais distante ponto exterior. E se isso retira o Homem do Universo também abriga o Universo dentro do homem. Literalmente. Pois nos domínios do ínfimo, conotativo e literal se anulam (ou sacrificam-se) para manifestarem o outro.
O Mestre, então, diante da porta fechada do discípulo, levou-o até a janela que se abria à claridade da manhã da vida e apontou, fincada na distância, a estaca que marcava o ponto central de Vila Longe, dizendo:
"Vou lhe apresentar essa prova que sua razão está cobrando mas que jamais irá encontrá-la enquanto razão, pois quem carrega respostas não pode além delas passar.
Está vendo a estaca? Pois bem! ... você terá que caminhar até ela traçando uma reta. E cada passo seu representará um número transposto. Porém, à cada dia, você poderá caminhar somente a metade do espaço que falta."
Hoje Vila Longe é uma grande metrópole.
Até à alguns anos ainda se via o Sr. Rolando Passos, dentro de suas casimira e tricoline, em meio as proles das proles de sua prole, diariamente e cada dia mais míope, caminhando amparado a sua "metade-do-que-falta" .
Mas como para encontrar é necessário perder-se e se perder, de uns anos para cá o Sr. Rolando sumiu de vista.
Dizem em Longe que adentrou aos mundos da realidade ínfima para poder continuar sua busca.
E enquanto a palavra Sempre vai migrando do dicionário do tempo para os Arquivos da eternidade, o Obelisco das Impossibilidades, situado hoje onde antigamente se encontrava a estaca do marco zero de Vila Longe, vai vagarosa e imponentemente aguardando a chegada triunfal do Senhor Rolando Passos, que por sua vez continuará para sempre "beliscando o Obelisco" sem nunca chegar.

Ainda que já o tenha transposto.
texto de Joel Pozzobom. - reg. ivel.

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