25 de setembro de 2016




LEMBRETE PARA DISPERSÕES FUTURAS


               Eu sou pequeno, simples e puro. Tudo em mim que não corresponder à essas condições não me é próprio. Pertence a roupa que vou bordando em torno de mim enquanto caminho do pequeno para o grande, do simples para o complexo e do puro para o impuro.
               Que eu então experimente sempre a ideia de que minha muito bem galgada posição, seja ela qual for e ainda que nenhuma seja, é apenas uma disforme prateleira onde me demoro a organizar condições irreais de grandeza e complexidade. Ou, o lugar em que eu, oportuna ou inadvertidamente, alieno-me em mim.
               Que eu saiba cultivar o hábito de despojar-me de minhas muito bem montadas certezas e, ao primeiro, mais sutil e perturbador sentimento de saudade de mim mesmo, que eu possa fechar os olhos para as distâncias, os limites e cronologias do tão falsamente presente Lado de Fora, e possa, assim, habitar meu interior. Esse lugar indizível onde não serei influenciado por minhas análises e pensamentos, e onde a obscuridade e incompletude próprias da linguagem não poderão revestir ou distorcer minha lucidez. Eis-me então em minha Origem. Esse ponto de onde, salvo enganos e ilusões, eu nunca sai.
               Amém. 


Joel.

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