26 de outubro de 2011

Salada de maçã.


A maçã. Dividida. Porém mantendo a unidade.



SALADA DE MAÇÃ

               Um dia o Senhor, entediado, sentou-se em sua varanda no infinito, adormeceu, e sonhou.
               Caprichosamente sonhou que criara uma horda e a presenteara com a resposta, alojando-a no fundo de cada de seus inúmeros corações.
               Mas por detentores da resposta, faltava às frações da horda, agora, a pergunta. Tão necessária à manifestação consciente da resposta que abrigavam na representação simbólica do coração. A maçã !... dependurada no galho esquerdo da árvore da vida.
               E assim, erguendo-se para apanhá-la, vislumbraram pela vez primeira a luminosidade, a profundidade e as possibilidades do horizonte. Tão mais amplas e lúcidas do que o restrito e penumbroso campo visual dos que andam de quatro.
               Porém o ato de erguer-se desocupou-lhes as mãos, que manipuladoras por excelência e ambíguas porque canhotas e destras, usurparam de seus corações a resposta que o Senhor ali havia aninhado.
               E uma vez em pé, ganhavam esses seres o paraíso na justa medida em que o perdiam, indo em busca daquela maçã unificada que o Senhor havia repartido em seus corações, sem se aperceberem de que cada de suas ínfimas frações eram manifestações completas de sua unidade. Pois eram sementes.
               E seguiram abandonando-a na medida que buscavam o seu inverso: A pergunta. E que, por buscada, passou a ser compreendida como resposta à resposta que passaram à definir, então, como pergunta.
               E ainda hoje, e por todo o sonho de Deus, buscam e buscarão de maneira inversa a pergunta que julgam ser a resposta... que já têm nas mãos.
               Mas se suas mãos agarram-se às respostas oriundas da divisão, a resposta unificada ainda se aloja em seu comum coração em forma de sentimento e intuição.
...

Texto de Joel Pozzobom, sem compromisso com a verdade palpável, dedicado à Adão, Newton, Jobs, e à todas as Belas Àdor-
mecidas.

2 comentários:

  1. Uma maçã,horizontes e profundidade...
    Uma varanda,um arrebol e a eternidade...
    Beijo...

    ResponderExcluir
  2. Olá.

    Esse texto me fez lembrar (maçã>> cidra) de uma HQ de Dimitri intitulada "Augustin Balpeau". Ele chega em casa, no interior da França, uma miséria de vida...desce até a adega, pega uma cidra, beberica e medita naquela chuva que nunca para. Vem uma enchente que vai engolindo tudo. Ele pensa ser o único ser no mundo a salvar-se, por ter tido a ideia de ficar dentro de uma banheira.
    Quando pensa nessa 'felicidade' de ser o único sobrevivente, pula pra fora o tampão do ralo da banheira e ele, claro, afoga-se.

    A resposta? Um alfinete espetado no braço, normalmente causa dor. Para 99% da humanidade. Essa é a resposta.

    Até logo, Jo.

    (Em Garibaldi RS, onde nasci, tem pessoas com o sobrenome POSSEBON. 'Tutti gente bona, pero'.....rssssss..)

    ResponderExcluir