11 de novembro de 2011

café passado




CAFÉ
     PASSADO

*

Nas manhãs idas repousa
a já cumprida alquimia
inversa, vazando noite
no cristal da água do dia.

*


Nos fundos da ebulição,
a lenha, rubra, ardia
esboçando a cor da aurora
que em breve se afirmaria.

À luz do feitiço em flor
a água enegrecia
depois de o fogo romper
sua brandura de fria,

e nossa inocência incasta,
mas que só à Deus cedia,
se dava em defloramento
às horas primas do dia.


*

E hoje, à mesa posta
na tarde desfeita e fria,
a intumescência morna
de um gole, não sacia.



texto de Joel Pozzobom

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